quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Terminologia Sazonal...

 Gosto muito de seguir a terminologia sazonal dos políticos...desde o fatídico "olhe que não, doutor, olhe que não..." do Doutor Cunhal, até ao "sustentável" que, presentemente, é obrigatório em qualquer discurso, para que este se torne sustentável, passando pelo "nomeadamente", que esteve na moda, nos anos 90 ou por "essa matéria" que entrou ao serviço no início do século, acho uma maravilha, principalmente, quando aparecem os novos "yes man" a utilizar os termos que ouviram ser atirados à rapaziada cá de baixo, pelos respectivos "man" que os inspiram e "coordenam"...é muito bom! Também gosto da resposta que começa com "repare", seguido duma pausa ou do: "ainda bem que me faz essa pergunta". Alguns deste termos são lançados às feras em discursos ou entrevistas, como se de uma obra literária se tratasse, depois os seus pares aprovam e a coisa segue os seus trâmites ( esta dos trâmites também já teve a sua época áurea...) ou são chumbados e escorraçados pelos "man", como aconteceu com uma infeliz "narrativa" de que muita gente se lembrará, pois não decorreu muito tempo desde a tentativa de narrativa, palavra que foi repetida vezes sem conta pelo seu obstinado "promotor", durante uma entrevista de televisão. Repare...eu nem queria referir-me, nem a estas, nem a outras  matérias que, nomeadamente, são insustentáveis do ponto de vista da narrativa, no entanto, se o meu caro colega facebookiano se interrogar acerca deste dossier, eu lhe responderei, com todo o agrado: " Ainda bem que me fez essa pergunta..."  (Nanã Sousa Dias)

Quando um político responde a um/a jornalista…

 “Depois de ganharmos as eleições e formarmos governo, iremos implementar novos programas de desenvolvimento económico, bem como de combate ao desemprego, novas políticas de saúde e educação e, ainda, reformas profundas no aparelho do Estado. Não está nos nossos planos nenhum aumento de impostos, antes pelo contrário, iremos aumentar o valor das pensões de reforma, ordenado mínimo nacional, bem como os vencimentos de todos os assalariados da função pública.”

 …O que pensa, na realidade, é:

 “Deves estar a brincar comigo…vocês vão levar todos é uma arrochada monumental, a começar por ti e pelos teus coleguinhas dos microfones e das câmaras de video, sempre a escarafunchar  as nossas  vidinhas  e a dar cabo dos esquemas que tanto trabalho nos dão a magicar…”  (Nanã Sousa Dias)

Quando um político responde a um/a jornalista…

 “Ainda não tive a oportunidade de estudar esse dossier mas, assim que o tiver feito, concerteza que prestarei todos os esclarecimentos à comunicação social, bem como a todas as portuguesas e portugueses…”  …

O que pensa, na realidade, é:

 “filho da mãe, eu bem o avisei que isto ia dar merda mas, não sou eu que me vou queimar com isto, logo havia de ser eu o primeiro a sair da reunião do grupo parlamentar!”  (Nanã Sousa Dias)

Quando um político responde a um/a jornalista…

 “Iremos aguardar o relatório da comissão de averiguação, após o que nos pronunciaremos…”  …

O que pensa, na realidade, é:

 “Os gajos da comissão já têm instruções nossas para protelarem esta porra o máximo tempo possível, até lá ainda há a final da Champions, o Rock in Rio, com um bocado de sorte, caem 2 ou 3 aviões, há porrada da grossa num qualquer país africano, o Cavaco ou o Alberto João dão mais uns tiros no pé e vocês vão esquecer esta porra toda…”  (Nana Sousa Dias)